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Silvio Franz, Cassino (Rio Grande/RS), 2011 |
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Em tudo encontramos a ação do tempo, as nossa vidas são marcadas pela temporalidade. Vida e morte. Parece-me que a morte é a ausência da luz, é o desaparecimento da memória, do registro. A luz que penetra em nossos olhos e que constrói a nossa experiência de vida. É uma memória com temporalidade limitada, que pode morrer dentro de nós se não for compartilhada. A arte possibilita ampliar nosso olhar, tanto externamente como internamente. E a fotografia em particular tem essa relação com o tempo, com a luz da memória e a escuridão do esquecimento. Um clic, um milésimo de segundo, um registro, e temos a ressurreição de um tempo que “morto”, que era passado, e ganha uma sobrevida, uma possibilidade de multiplicações dos modos de olhar. Estas reflexões são frutos de uma visita que fiz aos restos do navio Altair na praia do Cassino.
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Silvio Franz, Cassino (Rio Grande/RS), 2011 |
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Silvio Franz, Cassino (Rio Grande/RS), 2011 |
Para aqueles que vivem tão próximos deste que se tornou uma espécie de monumento, talvez passe despercebida a sua efemeridade material. Ele tem o seu tempo, ele passara... Mas incrivelmente, através dos registros fotográficos, dos múltiplos olhares, e das histórias que cada sujeito é capaz de construir, este navio permanecerá vivo na temporalidade inventada pelo homem. O navio Altair, um graneleiro argentino encalhado nas areias da Praia do Cassino (Rio Grande, RS) desde junho de 1976, está literalmente desaparecendo sob a ação do tempo, mas ainda é um ponto de visitação e cenário para lindas fotos. Mas com o passar dos anos restarão somente as imagens aprisionadas no tempo do fotográfico.
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Silvio Franz, Cassino (Rio Grande/RS), 2011 |